segunda-feira, 8 de março de 2010

Um dia é pouco... Uma musa é pouco ... Um poema nunca é pouco !


Viajando  no universo 
feminino
"as impressões marcadas na carne e
 na alma deste pobre vate ..."

 Aluysio Abreu Barbosa





beijo

(p/ liana)

beijo beijado na mente mil vezes
em década de desejo resignado
consumado quando menos se espera
sem saber se de alô ou adeus
sem certeza ou finalidade
apenas línguas roçando nervosas
como pipas cruzando no espaço

campos, 12/01/96

miúdos trocados

(p/ gláucia)

carinho do devaneio apertado
lacrado à saliva
de beijo de língua farta
sem saideira
mas com saudade
e a gorda impressão
de ter saído antes da hora
caminhando de reebok
que ainda se atrapalha
com o passamento enviesado
do cadarço que você amarrou

atafona, 29/04/96

transpiração

(p/ gláucia)

memória escorrendo no vidro
da garrafa de água gelada
pedras do arpoador de cazuza
de cal de kalo
do punho canhoto
hall de ipanema
perto de copacabana
onde inverno do leblon
degelando maturidade
é quase glaucial

campos, 23/09/96

 lembrança (de dora)

morena que fica nas mãos
entre meus dedos morenos
que brotam de palmas pálidas
exalando minha morena
em suas partes mais tenras
à minha mercê
mas intocadas de sol

03/2000
aurora

(p/ dora)

dia desses, madrugada alta
insone, acordei a mulher
para matar saudades do adolescente
ébrio, na beira da praia, à espera do sol,
que buscava ouvir o mar chiando ao parir brasa

acompanhado, reconstituí a cena
tendo como elemento novo, além da mulher,
a barricada baixa de nuvens no final do horizonte
deflorada lentamente pelos dedos róseos do poeta

ela olhou e disse que as nuvens pareciam algodão doce
pensei e a mim lembraram ilha grande
que quando avistada da ilha seguinte
vê-se não ilha, mas continente;
imaginei após a amurada interna do forte
dos que querem manter como está
e já saem à guerra vencidos;
recordaram-me também a serra do imbé
fazendo fundos com a planície dos extintos
lhe dando vértebras;
ou ainda a conseqüência do recife
no qual convergissem todas as ondas do atlântico
açoitando a pedra e espalhando espuma
como o cheiro do quarto no amor

o sol nasceu entre nuvens e metáforas
contemplei-o até a cegueira
beijei a mulher e me despedi de homero
que fez do ouro seu anel de noivado
e saiu comendo algodão doce

atafona, 15/04/2000

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